O brumário cabralino

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dos diálogos com Oswald de Andrade,
Ruy Guerra e Chico Buarque
e Lima Barreto

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Cabral perdeu-se na praia
após desembarcar em 22 de abril
debaixo duma bruta chuva
munido de espada e escapulário
e uma boa dose de lirismo
(além da sífilis, é claro).

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Anos mais tarde
no dia 1º do mesmo mês
deu as caras no Senado
de mãos dadas a Auro de Moura Andrade
e outros passistas de correto traje e fino trato
desfilando no alto de um blindado alegórico.

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Na segunda década do século 21
em 13 de maio se riria
adentrando o palácio
de braços dados com Michel
michê bem conhecido no Planalto
saudados por toda velha trupe de Bruzundanga.

 

 

Notícias de agosto

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dos diálogos com C.D.A.

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em memória de José Rezende

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Carlos
as pedras e a flor desbotada
permanecem no caminho.

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Os acontecimentos
as fadigas
a fotografia na parede
a ilha de Manhattan
perduram quase irreversíveis.

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Ainda tropeçamos
em cacos de vidro de leite
e maxilares.

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Até Fulana permaneceu.

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Mas José
(e logo ele)
foi-se embora.

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Processo criativo

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para a galera do Sar’Altino

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O verso revela o mundo
e seus caminhos.

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Abrem-se os olhos para ver
as arestas que brilham sob o sol
as faces escondidas sob a sombra.

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Não há pressa.

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O verso e os olhos
são flor que desabrocha
são fruto que amadurece.

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Rocha esculpida pelo tempo e o vento
da consciência.

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